Indigesta

O sabor de tuas entranhas já não me é mais doce. Degusto este amargor com a insatisfação de um vencido. Um dia me perdi no teu encanto, mas hoje nego tua presença. De ti, frutificação do medo, desejo distância. A mim tu apareces como a face fosca de um rochedo. Preciso ir me encontrar e irei te deixar pra trás. A mim não passa de um amontoado de pixels a qual minha mente não digere e nem vê encanto. Tu é responsável pelo meu pranto. Preciso ir, preciso me procurar.

Autor: Felix

Cacho em pixels

 

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Sobre Fogo, Calor e Cinzas

Não nasci para a correria dos dias normais. O único calor que sinto está na ponta de um cigarro. Queimo como toda alma, a gastar-me. Eu cansei de fazer poesias etéreas de tardes na matéria. Canso-me de todo dia queimar minha poesia e negligenciar-me como se fosse normal. Jogar-me na lama enquanto queimo minha paciência. O clima é de constrangimento, o movimento é trash. Toda ilusão é brega, todo amor é cafona.

Autor: Felix

Escárnio

​A arte está no corpo nu. Ela está nos olhos que amadurecem para libertar a próxima lágrima. Está no próximo choro de saudosismo. Está no estado de contemplamento. A arte reina na aura da poesia do meu coração escarlate. A arte pura é a puta de minha esquina, minha arte é prostituta. Ela dança, quica no chão e cheia de graça rebola ao som da tua fala. A arte está no meu desejo de seguir vivo. Sinto sua presença no meu medo de morrer sem sentir sua verdade correndo em minha veia. Ouça meu grito de fim de tarde! Meu pau vibra contente em teu nome! Mastigue-me, arte! E cuspa o que restar de mim!

Autor: Felix

Só Vazio e Pó

Em uma manhã sem sono, Solidão se sentiu tão só que se solidificou; a Madrugada, no nó de sua insanidade, já não a deixava dormir. Então Pesadelo, vingativo amante, partiu a Madrugada ao meio. Morte, dor e apatia. O Pesadelo Tântrico da morte de cada fim de dia pegou Madrugada, partiu ao meio o nó insonso da insônia e transformou tudo em pó. Às três e treze d’uma madrugada sem sono tudo vira vazio e pó.

Autor: Felix

Antagônico

De algumas coisas
De algum modo
Dentre outros jeitos
Amores e amigos
E outros ninguéns
Vou me distanciar

O pudor do instinto
O vazio da solidão
O querer da razão
De todo o por que
Desse meu não
Preciso distinguir

E que é preciso dizer não
Largar pra traz o passado
Flutuar na cor azul
Do próximo desejo
Do próximo beijo
Da próxima sorte

Autor: Felix